Distribuição de renda segundo o governador - parte I

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Para evitar roubos, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), recomendou ao folião neste domingo (14) evitar levar objetos de valor. Wagner comentou o balanço divulgado no último sábado (13) pela Secretaria de Segurança Pública, que apontou aumento no número de roubos e de furtos no carnaval deste ano.

- Creio que até agora a gente tem brilhado, apesar de ter aumentado o número de roubos e de pequenos furtos nos circuitos. Mas aquilo que mais me preocupa, que é a violência propriamente dita, essa diminuiu, o que é motivo de satisfação.

O governador afirmou ser muito difícil prevenir crimes de furto e de roubo e a melhor opção seria que os foliões evitassem curtir o carnaval em Salvador portando objetos de valor.

- Não me peçam para resolver definitivamente isso, porque digo logo que é impossível. No meio de 300 mil pessoas juntas alguém meter a mão no bolso [de alguém, para roubar]. Eu já brinquei carnaval de pipoca [fora da corda de segurança do trio elétrico] e brincava com o meu dinheiro dentro da sunga que é uma recomendação de todo mundo.

Wagner afirmou que é um “fato normal”, dois possíveis candidatos à presidência da República – a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, do PT, e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) – estarem na capital baiana no Carnaval.

- Em dia de domingo você coloca uma roupa especial para ir à igreja. Em ano eleitoral, todo mundo aparece mais porque precisa ser visto para ser lembrado. Acho natural.

Os presidenciáveis Dilma e Serra comentaram até o rebolation, o ritmo do momento em Salvador, durante sua passagem pelo circuito de Campo Grande, na tarde deste domingo.

Dilma e Serra decidiram aproveitar à tarde de domingo nos camarotes do circuito de Campo Grande. Dilma Rousseff, acompanhada pelo governador da Bahia Jaques Wagner e vestindo calça e bata brancas e muitos colares típicos de blocos da Bahia, foi assistir à passagem dos famosos trios elétricos de Ivete Sangalo e Cláudia Leite no circuito do Campo Grande.

Durante conversa com a imprensa, Dilma elogiou a festa de Salvador e comentou sobre o rebolation. - Quero ver os trios, é cada um melhor do que o outro. Acho que qualquer um de nós pode dançar, é só treinar umpuco.

Serra, por sua vez, disse que não iria se arriscar publicamente.

- Eu não vou arriscar não, pelo menos publicamente. Vou treinar sozinho.

Rebolation - O grupo Parangolé, o 12º a desfilar, toca seu hit de sucesso sem parar, desde que entrou na avenida. Em um telão, um bonequinho ensina os passos da dança para quem ainda não aprendeu. Do alto do trio, o vocalista gritou:

- O nosso Carnaval é tudo de bom. Quem é do gueto e quem é da favela acompanha.







A pluralidade do carnaval baiano - Parte II

Doralice de Souza, de 45 anos, moradora do bairro Fazenda de Coutos, na região suburbana de Salvador, aguardava sob sol quente o começo do desfile do bloco Papa, comandado por Claudia Leitte, nesta segunda (15).

Nas proximidades do farol da Barra, onde começa o circuito Dodô, que vai até o bairro de Ondina, a doméstica contou que este é o quarto ano que trabalha como cordeira (nome dado para as pessoas responsáveis por segurar a corda que separa os foliões do bloco dos foliões pipoca, ou seja, aqueles que não estão com o abadá).

Mesmo diante do trabalho árduo que nunca dura menos do que seis horas, no qual fica exposta a empurrões e muitas vezes até socos dos dois lados da corda, como ela revelou ter acontecido neste domingo (14), Doralice afirmou que tem o que comemorar.
- Neste ano, estão pagando R$ 30. No ano passado, era só R$ 27.

O R7 perguntou a Doralice por que faz um trabalho tão penoso, sujeita à violência e debaixo de sol escaldante. Ela respondeu:
- Isso é a precisão, meu filho. Preciso desse dinheirinho que ganho no
Carnaval para inteirar o que já juntei e comprar uma televisão.

Doralice afirmou que tem renda familiar de R$ 170. Também cordeira, Cristina Fernandes, de 50 anos, não comemora o aumento de R$ 3 na remuneração. Ela acha que o valor ainda é pouco para o trabalho de cordeira e sugere:


- Eles podiam pagar pelo menos uns R$ 40, né?
A vendedora de cosméticos Lucilene Soares, de 27 anos, é cordeira pelo oitavo ano consecutivo. Neste ano, estreia como cordeira do bloco de Ivete, cantora da qual é fã. - Eles pagam R$ 31, incluindo a passagem. Eu sei que o dinheiro é pouco, mas eu preciso muito. Por isso estou aqui. Para não machucar as mãos, ela usa luvas, cedidas pelo contratante. Adriano Santos, 21 anos, é cordeiro pela segunda vez e afirma que pensa em abandonar a árdua profissão na folia.
- O trabalho é duro. Acho que não quero mais fazer isso no ano que vem. Cordeiro pela terceira vez, o padeiro Antonio Santos, de 23 anos, tenta se divertir enquanto trabalha, mas não pode deixar os foliões chegarem muito perto do trio elétrico, para evitar que acidentes ocorram. Entre uma chamada de atenção e outra, arrisca passos de axé. - Eu gosto do Carnaval e, baiano que é baiano não pode perder a alegria.